domingo, 8 de abril de 2018

Lore de Ttiayuuko - parte 1



Poucos sabem, mas a pupila de Liadrinn tem uma longa história e marcas que a forjaram em uma Paladina com Determinação e Honra.

Envolto a uma infância difícil e amarga, levada cedo para os campos de batalha, com uma família completamente destruída, deixando sua irmã com seu único parente em terras inimigas(Aliança) para que vivesse sem ter contato com o fel, sofrendo preconceito por não ser plenamente purificada pelo fato de um demônio ainda vivo estar com um pedaço de sua alma, esta elfa sangrenta - que abandonou seu nome de origem e não ousa proferi-lo - luta com sagacidade em nome da Luz, da Justiça e pela Nascente do Sol.


Usando seu nome inspirado nas terras e lendas pandarênicas que ouvia pela infância com andarilhos enquanto sua terra era protegida e próspera, Yuuko Kitsune havia tudo para perder e enlouquecer, mas decidiu perseverar.

Atualmente, da infância, manteve seu amor pelos estudos arqueológicos e antropológicos se especializando desejando algum dia voltar a estudar com os Escribas de sua terra para aumentar ainda mais sua paixão no âmbito intelectual fora das missões que faz paralelamente nas campanhas em que luta.

A pequena Yuu é mais uma de muitas crianças elfas que sofreram aos mandos e desmandos de guerras, ataques, traições e malignidade

Filha de um promissor mago e uma exímia sacerdotisa, Yuuko era a filha mais velha da família. Sath, sua irmã mui pequena, nascera com dificuldade por ter vindo de forma tão prematura. Principalmente após a Segunda Guerra. Amava

Yuuko Kitsune, a princípio, possuía um outro nome, no qual resolveu esquecer após a trágica ação de seu pai para com suas filhas.

A casa de sua família ficava um pouco longe de Tranquillien, um lugar que outrora já fora magnífico, antes de Arthas atacar.

Seu pai possuía ambições e o seu leve gosto pelo profano o levava para outros caminhos ainda mais tortuosos.

Abaixo, um pedaço desta memória.


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-Eu não permito que toque em minha irmã para qualquer coisa!

A elfo esbravejava com seus olhos ardentes. Sua irmã estava acorrentada por uma espécie de fluído no qual foi solta por ela. O demônio Mal’this estava presente, completamente entretido com todos os acontecimentos, junto ao seu pai, amigo íntimo de Dar’Khan Drathir.

O exato momento em que ela chegou fora na hora em que recitava palavras esquisitas e arrepiantes. Nisso, a elfa se joga em frente a dua irmã, sendo atingida pelo ataque que o prai proferia.

-Idiota! - Falava o pai.

- Está ficando interessante este contrato, elfo. - comentava o demônio.

O corpo da elfa flutuava em meio a fluidos esquisitos após o choque em salvar a sua irmã. Seu amigo conseguiu, sorrateiramente, silenciar a pequena elfa e levar para fora da torre o mais rápido que podia, pois ainda era uma criança entrando na fase da adolescência.

-Eu preciso ajudá-la também. Por isso, Sath, peço que fique em silêncio.

Sath era muito pequena e chorava copiosamente sem entender muito do que estava acontecendo, porém Kyo sabia como acalmá-la: Havia trazido seu filhote de gato para que ela pudesse se acalmar.

Seus olhos permaneciam fechados enquanto tentava compreender o que estava acontecendo. Uma sensação desesperadora de sentir sua alma querendo sair do seu corpo contra sua vontade a deixava em pânico. Porém ela não poderia ceder. Jamais iria ceder. Sua mãe sempre dizia que em qualquer adversidade, jamais se esquecesse da Nascente do Sol e sua luz.

- Já não me basta atrapalhar a vida inteira com suas vis atenções infantis, agora só me resta ter que usar apenas você.

Essa voz era conhecida. Vaga mais conhecida.

Era a voz de seu pai.

-Porque essa alma é tão resistente?

-Quanto mais pura, mais difícil de retirar e de transformar em receptáculo, elfo.

A elfa já havia recuperado a plena consciência do que estava ocorrendo. Sentia seu corpo cair lentamente para frente, levando seus pés a tocarem o piso de mármore puro extraído de Quel’danas. Seu olho direito comichava junto com uma boa parcela do seu corpo e de sua cabeça. Ecos de terror percorriam sua pobre e pura mente.Sentia sua pele rasgando de forma tão doloroso que por pouco se desvencilhou.

Porém continuava lutando, enxergando a luz e o fio de esperança dentro de sua alma.

-Pare de resistir! Seja uma boa filha e obedeça!

-Este contrato está demorando a acontecer, elfo. Onde está aquela sua capacidade demonstrada?

As palavras irritavam a elfa. Tão jovem, tão nova, ainda entrando na puberdade mas sofrendo os horrores demoníacos dentro da própria torre ao Oeste de Tranquillien. A voz que dialogava junto de seu pai era estrondosa, arrepiante e assustadora.

Voz de demônios.

O que ele falava, explicava o motivo de diversos desaparecimentos de um povo já dizimado praticamente. Essa voz ecoava em gritos dentro de seu corpo.

-Eu não…. vou permitir…. enquanto eu viver...

A pequena elfa de cabelos preto-azulados fazia força enquanto os fluídos apertavam suas articulações. Se determinação era algo que marcava sua família por parte de mãe, estava sendo transparecido ali. Porém, a dor estava imensurável, ao ponto de sentir o fluido preencher em todo o lugar que comichava em seu corpo.

“Ó, nascente do sol, não me abandone… Não permita que o mal assole meu povo. Me permita… lutar pela Luz, lutar por todos eles e banir este mal das terras… pela Justiça!” - clamava a elfa em sua mente.

Uma voz começa a ecoar dentro de si. Ela já sentia isso antes quando acompanhava sua mãe nos ritos de Sacerdócio. Sua alma graças a sua fé se agarra nesta voz, que parecia um doce canto em sua mente.

Os fluídos começavam a enrijecer em volta da elfa, quebrando e esfarelando como se fossem biscoitos. Seu pai se irava e sua vontade de pegar o chicote para castigá-la aumentava, porém não estava a vista para isso.

Um clarão tomou conta da torre pútrida que era a torre de seu pai que o fez ficar impossibilitado de enxergar qualquer coisa a sua frente, tal como o demônio que o acompanhava - blasfemando todos os tipos de nome que possa existir em todos os Reinos do Leste.

- Estou com uma parte da alma dela, elfo. Vou usá-la como um “amuleto” para meus… planos peculiares. Se eu estivesse com a totalidade da sua alma e com seu corpo como receptáculo, poderia fazer muito mais. Porém, provou o suficiente nestes tempos, inclusive pelas atitudes desgarradas com sua prole.

-Eu faria qualquer coisa. A luz é fraca e só o arcano não me contenta para conquistar. - falava o pai.

- Venha, há um grande poder que lhe aguarda. Uma grande Legião.

O clarão ainda estava evidente. Kyo estava a espreita e segurou sua amiga, pois com o clarão, ela fora impulsionada para trás da porta que estava aberta. Com muita dificuldade desceu com ela até a base da torre e abraçando-a junto com sua irmã, pedia para o Sol que a Pedra de Regresso não falha-se.

Abrindo os olhos, estavam no bazar de Silvermoon, rodeado de elfos correndo por todos os cantos. Preocupado com a pequena Sath, vendou seus olhos e junto ao tio de sua amiga, correram para algum local mais escondido de lá.


Após o ocorrido, Eles correm para os braços do tio de Yuuko. Após muitas conversas e reuniões, além de embates contra alguns demônios menores que os perseguiam até o local, decidiram o que era melhor para a caçula.

A família se fragmentara. Graças ao pai.


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-Onde estamos? - Indagava o elfo de cabelo preto amarronzado.

- Isto não importa muito no momento. O importante é salvar a minha irmã.

- Certifiquei que vocês viessem de forma que não fossem rastreados, sobrinha. Fique tranquila. - indagava Elhous, o tio das duas elfas ali presentes.

-Obrigada. É uma decisão muito difícil a que escolhi....


- Então vai ser assim? - falou Kyo um pouco consternado. Bebericando um pouco do copo de água oferecido por Elhous, respirou fundo e observou pela janela o mar esverdeante repleto de árvores com imensas raízes. Aparentava ser um local tranquilo, sem trolls, Scourges ou sinais da Burning Legion. - É uma boa decisão, por mais que seja dolorosa.

- Dolorida é a dor que irei carregar para o resto de minha vida. A dor que motiva meu desejo mais profundo. A justiça deve ser feita pelo nosso povo, pela minha família. - disse a elfa, enquanto destampava um dos olhos em frente ao espelho da sala da torre do seu tio. A Heterocromia de um olho verde e um olho azul sumia de tal forma que os dois assumiam então a coloração esverdeada. A cena de seu lar a atormentava dia e noite.

Porém sua irmã ainda estava imaculada. Isso era o que mais importava. E com isso, ela não poderia viver mais consigo, ou teria que sugar o arcano de uma forma que a contaminasse.

Sua mãe enlouquecera ao encontrar o estado das filhas e da casa profanada. Desaparecera sem deixar qualquer vestígio. Seu pai, sabe-se lá o que houve mas provavelmente se enveredou nas trevas. O resto de sua família estava morta. O único que sobrou fora o seu tio, que fazia parte de um grupo de Altaneiros leais ao Leão.

- Eu não quero ir. - dizia Sath consternada. - eu tenho medo, quero ficar com você, irmãzinha!

- Um dia nos reencontraremos. É uma promessa. Você... se tornará uma linda elfa e determinada, na função que você escolher. Nosso sangue está acima de tudo e de todos, lembre-se... disso sempre. - disse Yuuko com a voz embargada - você jamais estará sozinha.

- Minha pequena Sath, irei cuidar de você com todo o amor como minha irmã lhe cuidava! Mas há coisas que você ainda é muito pequena para compreender. - disse o tio.

-Eu não estou te abandonando. Estou te protegendo. Não quero que você tenha olhos... verdes... Faz mal. - disse Yuuko inventando de alguma forma o que contava - sua irmã vai buscar a cura. Ela está dodói.

-Irmãzinha, então se cuide, fique bem forte e tome os remédios direitinho! Mamãe falava que era delicioso comer com um pouco de leite e mel!

Yuuko sorria. O rosto de sua irmã demonstrava determinação, uma característica forte da sua família que já fora dissolvida. Recolhendo algumas lágrimas, abraçou e acariciou os cabelos de sua irmã. Talvez, fosse a última vez que a veria.

Talvez não, certeza.

A partir dali em diante, seus destinos estavam traçados em lados opostos.

- Vamos, Kyo e... obrigada tio. Se precisar de...

- Não pise aqui, seremos inimigos. - disse de forma seca seu tio. - não poderemos manter contato, mas cuidarei dela como se fosse uma filha. Pode enviar cartas a ela, eu as entregarei.

- Eu não sou uma inimiga, nosso povo está acima de tudo. - retruca, Yuuko. Naquele momento, sua irmã já não está mais no recinto.

-Queria poder dizer o mesmo, porém você tem o sangue honroso de minha irmã. Então.... de você, eu tenho compaixão e misericórdia. Por isso eu peço para que não volte, mas se comunique por cartas. Se ocorrer alguma emergência, avisarei a ti.

-Obrigada. E... se ocorrer algo grave, que tenha a necessidade de que eu surja aqui de novo, assim o farei, independente de suas palavras. Tanto comigo quanto com ela, mas principalmente com ela. Se ele.... tentar persegui-la...

- Neste caso tem todo o meu apoio. Caminhe com honra e triunfe na Luz.

- A Luz nos guiará tio.

- E que ela te cure - disse o tio, já se afastando da sala.