quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Fragmentos:A ladina que ninguém conseguia enquadrar

EXPANSÃO PANDÁRIA

 Em Pandária, onde cada vale parecia esconder uma lição sobre paciência, equilíbrio ou autoconhecimento, havia uma pequena exceção caminhando silenciosamente entre bambuzais, tavernas e ruínas antigas.

Seu "nome" era Ocultinha. Adorava brincar com sua própria aparência fabulosa em seus apelidos.

Gnomida, ladina e oficialmente sem facção, ela havia descoberto que viver fora da eterna disputa entre Horda e Aliança tornava a vida surpreendentemente prática. Os guardas nunca sabiam ao certo se deveriam prendê-la, ajudá-la ou simplesmente fingir que ela não existia. Na dúvida, quase sempre escolhiam a terceira opção. Afinal, era difícil desconfiar de alguém que aparecia usando um conjunto de roupas diferente a cada dois dias e carregava uma confiança tão desproporcional ao próprio tamanho.

CLIQUE EM LEIA MAIS PARA CONCLUIR SUA LEITURA

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Fragmentos: Alma Dilacerada



INÍCIO EXPANSÃO LEGION


O início da nova invasão da Legião Ardente espalhava o caos por toda Azeroth. Enquanto exércitos se reuniam para conter o avanço dos demônios, regiões inteiras tornavam-se vulneráveis a antigos inimigos que se aproveitavam da desordem para acertar contas ou concluir planos há muito arquitetados. Kyo aprendera, durante os anos no Templo do Pico da Serenidade, que o chi do mundo jamais mentia. Nos últimos dias, uma inquietação insistente o acompanhava, como se um fio invisível o conduzisse para algum lugar onde a vida se encontrava perigosamente próxima do fim.

Seguindo esse pressentimento, encontrou uma trilha marcada por sangue, ferraduras e vestígios de magia vil. As marcas eram recentes e avançavam por uma mata pouco frequentada de Azsharah, afastando-se das rotas principais utilizadas pelas forças da Horda. Quanto mais avançava, mais evidente se tornava que alguém havia sido perseguido.

Quando avistou o cavalo de Yuleth caído entre as árvores, seu peito se contraiu. O animal respirava com dificuldade, coberto de cortes profundos, mas ainda tentava erguer a cabeça ao reconhecer sua aproximação. Kyo acariciou-lhe rapidamente o pescoço antes de seguir adiante, tomado por um medo que já não conseguia controlar.

Encontrou Yuleth poucos metros além.

Ela permanecia caída sobre a relva, quase imóvel, como se toda a força que sempre demonstrara tivesse sido arrancada de seu corpo. A armadura apresentava rachaduras profundas, parte do metal havia sido retorcida pela violência dos golpes e o sangue escorria lentamente por entre as placas douradas. Seus pulsos exibiam marcas arroxeadas de contenção, e ao redor do corpo havia um círculo de runas queimadas que ainda irradiava resíduos de magia sombria. Não era difícil compreender o que acontecera ali. O ritual havia drenado boa parte de sua energia antes de ser interrompido.

CLIQUE EM LEIA MAIS PARA LER O FRAGMENTO COMPLETO

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Fragmentos: A ardência de uma alma mestiça


 Expansão Legion

A floresta de Val'sharah parecia agonizar.
O verde exuberante que outrora abrigara druidas e criaturas ancestrais havia cedido lugar às chamas da energia vil, que consumiam árvores centenárias enquanto fendas abertas no céu despejavam novos contingentes da Legião Ardente. O ar carregava o cheiro podre da corrupção demoníaca, misturado ao de madeira queimada e sangue. Era difícil acreditar que aquele lugar já fora considerado um dos recantos mais sagrados de Azeroth.

Nychtat avançava entre os demônios como um vulto. Os anos em que vivera como ladina ainda se revelavam em seus movimentos precisos e silenciosos, mas a disciplina dos monges andarilhos havia transformado aquela letalidade em algo muito mais refinado. Uma rasteira derrubou um guarda vil, e antes que ele pudesse se levantar um golpe concentrado de chi afundou seu peito. Ela girou o corpo para escapar do machado de outro inimigo, usou o impulso para acertar-lhe o cotovelo na mandíbula e terminou o movimento com um chute que o lançou contra um tronco já rachado pelas explosões demoníacas.

Poucos metros adiante, Kyo enfrentava três infernais menores ao mesmo tempo. Seus punhos brilhavam com a energia do chi enquanto seus golpes fluíam sem violência desnecessária, como se acompanhassem o curso de um rio. Cada ataque parecia preparado para conduzir o seguinte, obrigando os demônios a tropeçarem uns sobre os outros antes de sucumbirem. Já Yuleth permanecia firme na linha de frente, protegendo os dois companheiros do avanço dos inimigos maiores. A Luz envolvia sua armadura dourada e sua espada abria espaço entre os felguards, dissipando a energia vil sempre que se chocava contra ela. No fundo sentia falta da Haste companheira.

Mesmo assim, a sensação era de que nada bastava.

Para cada demônio abatido, outros tantos surgiam dos portais espalhados pela floresta.

Quando finalmente o último deles caiu, os três permaneceram imóveis por alguns instantes, recuperando o fôlego enquanto observavam a devastação ao redor. Nenhum deles comemorava vitórias havia muito tempo.

-- Nunca acaba... - murmurou Nychtat, limpando o sangue negro que escorria por seu antebraço. - Matamos centenas e eles continuam chegando como se Azeroth fosse apenas mais um mundo destinado a morrer.

Yuleth acompanhou o olhar da companheira até um novo rasgo verde que se abria entre as nuvens.

- Enquanto a Legião existir, isso continuará acontecendo. É exatamente por isso que não podemos parar.

Nychtat soltou uma risada amarga.

- Curioso... Passei boa parte da minha vida sendo rejeitada pelos povos que agora esperam que eu lute por eles.

As palavras fizeram Kyo voltar sua atenção para ela, embora permanecesse em silêncio.

Nychtat raramente falava sobre si mesma. Quando o fazia, era porque alguma ferida antiga havia voltado a doer.

- Passei séculos tentando entender quem eu era. Sem saber dessa tal Suramar que tanto sussuram que exista, achei aa vida inteira que era uma aberração de elfo noturno. Para os elfos sangrentos, eu sempre fui uma aberração esquisita. Cresci ouvindo que não pertencia a lugar algum.

Ela respirou fundo antes de continuar.

- Durante muito tempo odiei meu pai por acreditar que ele simplesmente havia abandonado minha mãe, mesmo sem conhecer ele já que ele morreu. Agora descubro que a verdade era outra. Ele fugiu tentando salvar a própria vida dessa tal Suramar e acabou condenado a definhar sozinho durante séculos, enquanto minha mãe carregava tudo nas costas.

A raiva em sua voz não diminuía ao falar da verdade recém-descoberta entre uma facada e outra. Apenas mudava de direção.

Yuleth permaneceu alguns instantes pensativa antes de responder.

- Talvez isso também explique por que você sobreviveu melhor do que muitos imaginariam.

Nychtat arqueou uma sobrancelha.

- Como assim?

- Você nasceu em Quel'Thalas, próxima à Nascente do Sol. Durante gerações, ela irradiou magia arcana por toda a região. É possível que essa exposição constante tenha amenizado parte dos conflitos provocados pela sua herança. Além disso, sua mãe era uma elfa sangrenta. Você herdou dela muito mais do que apenas a aparência.

Nychtat permaneceu calada.

Jamais havia considerado aquela possibilidade já que sempre acreditara que sobrevivera apenas por acaso.

Kyo sorriu discretamente.

- Você vive procurando respostas apenas no sofrimento.

Ela olhou para ele.

- E onde mais eu deveria procurar?

CLIQUE EM LEIA MAIS PARA CONTINUAR SUA LEITURA