
Pós Dragonflight
O céu sobre Luaprata tinha aquele brilho dourado que parecia existir apenas ali.
As altas torres refletiam a luz do Sol como cristal líquido, enquanto os estandartes vermelhos balançavam ao vento vindo do Mar de Véu de Névoa. Fontes encantadas espalhavam discretos fios de energia arcana pelo ar, perceptíveis apenas aos mais sensíveis à magia.
Para Etheresza, aquilo era quase inacreditável.A jovem dracthyr caminhava ao lado da elfa sangrenta, observando cada ponte, jardim e construção com um encantamento impossível de esconder. Mantinha as asas recolhidas por respeito ao ambiente urbano, mas resolveu oculta-las na sua forma paisana.
Respirou fundo.
– Isso é... muito maior do que imaginei.
Yuleth sorriu: – Bem-vinda a Luaprata. Minha casa.
Seguiram pela larga avenida próxima ao Bazar Real. Mercadores exibiam cristais encantados, tecidos de Quel'Danas e artefatos arcanos, enquanto moradores cruzavam as ruas com naturalidade.Etheresza absorvia tudo como uma criança descobrindo um mundo novo.
Quando uma patrulha passou por elas, os Andarilhos interromperam a marcha e saudaram Yuleth.
– Lady Yuleth.
Ela respondeu apenas com um leve aceno.
Pouco depois, dois magísteres saíam de uma biblioteca acompanhados por grimórios flutuantes.
– Ainda lhe devemos um jantar pela última missão.
Yuleth riu.
– Vocês ainda insistem nisso?
– É um dever cívico, depois da ajuda com os artefatos.
Os dois seguiram seu caminho.
Mais adiante, próximo à Travessa do Assassino, figuras encapuzadas surgiam e desapareciam entre as sombras. Um deles ergueu dois dedos em cumprimento. Outro apenas inclinou a cabeça, sorrindo. Nenhum demonstrava medo ou ojeriza, mas respeito.
Depois de alguns minutos confusa, Etheresza finalmente perguntou:
— Eu esperava que apenas os Cavaleiros Sangrentos a respeitassem... talvez até os patrulheiros. Mas os magísteres... e até os…?
Yuleth permaneceu em silêncio por alguns passos antes de responder.
— Nem sempre fui uma paladina, conjurante.
Seu sorriso desapareceu.
– Houve uma época em que eu não tinha mais casa.
Etheresza reduziu o passo.
— Meu pai traiu Quel'Thalas. Vendeu informações e fez alianças imperdoáveis em busca de poder. Minha família foi condenada por quem devia proteger. Minha mãe havia sumido.
Ela apertou lentamente o punho.
– Minha irmã... meu próprio pai tentou sacrificá-la.
Etheresza arregalou os olhos.
– O quê...?
– Ela conseguiu fugir. Hoje vive entre os Altaneiros, na Aliança - Um sorriso triste cruzou seu rosto – Pelo menos está viva. Se tornou uma exímia caçadora… mesmo com a tradição familiar em magia.
O vento balançava seus cabelos enquanto retomavam a caminhada.
– Eu fiquei ao lado dos sobreviventes que perderam tudo. Minha casa, meu nome, minha família... qualquer futuro que imaginei. A vergonha que carreguei até retomar a honra do nome que eu carrego.
Ela observava as ruas impecavelmente reconstruídas, mas parecia enxergar outra Luaprata. Uma cidade coberta por ruínas, cinzas e sangue. CLIQUE EM LEIA MAIS PARA LER TUDO

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